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Má fé?
Roberto Hugo
Compete ao departamento técnico da Federação Paraibana de Futebol elaborar a tabela do campeonato estadual. Se ela fosse feita pelos clubes jamais haveria consenso, em função dos interesses, da rivalidade e da falta de diálogo entre os dirigentes.
A Federação não tem conseguido dá um passo a frente com relação à premiação nessa competição. A taça de campeão vale menos do que as entregues pelos torneios amadores promovidos por Tobias, Joãozito e Dimas Andrade, não há sequer medalhas para artilheiro, goleiro menos vazado, revelação e por aí vai.
A presidente Rosilene tem alegado dificuldades financeiras localizadas para arcar com novos investimentos, mas ao que parece, não se preocupa em melhorar essa situação. Estou falando claro de dificuldades na Federação, uma vez que a presidente vai muito bem com suas empresas privadas.
Como pode o Treze campeão de renda na Paraíba, ter atuado dois jogos seguidos fora de casa - um em Cajazeiras outro em João Pessoa, e logo adiante em Souza, em novamente em João Pessoa e vai atuar em Patos. Três jogos seguidos, praticamente cruzando o estado de ponta a ponta.
Como um clube colocado entre os que mais investem em nosso futebol vai honrar com seus compromissos? Que explicação tem a Federação, ao desprezar suas participações financeiras nos jogos do campeão de rendas? Já o Campinense em seis jogos disputados, cinco foram em casa. E seu próximo adversário será o Atlético no Amigão.
O que há com a Federação? Será que está olhando pros 10 clubes profissionais igualitariamente? Será que Rosilene perdeu o pulso? Será que existem cartas marcadas?
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Sufoco
Roberto Hugo
Agente conta nos dedos os clubes que comemoram avanços na política financeira do sócio torcedor. Internacional, Grêmio e São Paulo têm projetos vitoriosos em parceria com sua torcida, mas o mesmo não ocorre com mais de 400 clubes profissionais espalhados pelo país.
Na Paraíba o Treze saiu na frente, ativou seu departamento de marketing, mas só conseguiu a adesão de pouco mais de 2000 sócios em 2005, oportunidade em que o Galo se destacou na Copa do Brasil. Atualmente, pouco mais de 600 sócios estão pagando suas mensalidades.
Como o suporte das bilheterias dos estádios é insuficiente, o jeito é buscar a ajuda dos apoiadores. Pessoas que tiram dinheiro de suas empresas, dos seus investimentos, para cobrir débitos dos clubes. Quase sempre em nome da paixão. Algumas vezes buscando uma contra partida nos direitos econômicos de jogadores.
O certo é que esse formato não tem funcionado em nosso futebol. Cada ano que termina, os débitos se avolumam e inviabilizam a manutenção de times de uma temporada pra outra. A chamada base. Campinense e Treze entraram 2010 com débitos consideráveis, principalmente a raposa cuja conta a pagar supera R$ 1,5 milhão.
No orçamento do município foi apresentada uma proposta de R$ 600 mil pra cada clube de Campina Grande. O que somado aos recursos do Gol de Placa, daria um suporte razoável pro nosso futebol. Mas o prefeito vetou e liberou cotas bem menos atraentes.
Como a iniciativa privada também investe pouco em nosso futebol o jeito é caminhar sem lenço e sem documento e esperar a morte chegar. E os sinais desse desgaste são óbvios. Almir quer deixar o Campinense porque tem 4 meses de salários atrasados e não confia na diretoria. Miltinho queria trocar o Treze pelo Botafogo de João Pessoa
que lhe teria feito uma proposta melhor. Thiago Cunha que se projetou em Campina Grande, está de volta a Paraíba e desembarcou no Nacional de Patos.
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Sebastião Viana
Roberto Hugo
Separar profissão e paixão não é o forte do torcedor, principalmente quando também é um dirigente que não sabe encarnar a verdadeira função de administrador. Quem está sendo crucificado no Campinense por ter passado pelo Treze é o gerente de futebol Sebastião Viana. As flechas vêm de todos os lados. O que felizmente não acontece com as idas e vindas de jogadores passeando entre os principais rivais.
Sebastião Viana teve passagem vitoriosa no Treze. Mostrou competência, conhecimento da função, era vigilante com a arbitragem, dava o sangue pelo alvinegro do bairro de São José e todos sabem que é torcedor do alvinegro. Saiu porque as derrotas vieram, o que é natural no mundo da bola. No futebol, quando o jogador não rende, a culpa recai em quem o recomendou.
Antes mesmo de mostrar o seu trabalho na Raposa, o nome de Viana já virou sinônimo de desconfiança por alguns fanáticos, em função de ser um trezeano. O que é uma precipitação e uma falta de respeito ao profissional. Mas como o Campinense tem um presidente equilibrado em suas emoções, Viana deve seguir tocando suas ações. Afinal foi contratado o profissional e não o torcedor.
Em 1966 o famoso raposeiro Edvaldo do Ò deixou o Campinense e foi ser presidente do Treze. Assumiu o cargo sob a desconfiança de alguns, só que o resultado foi alvissareiro para o clube. O Galo foi campeão paraibano invicto e Edvaldo calou a boca daqueles que não sabem separar profissão e paixão. Que este exemplo sirva de lição para aqueles açodados que querem crucificar Viana. Deixem o “mago” trabalhar.
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Utopia
Roberto Hugo
Antes do campeonato brasileiro da serie B 2009 começar estimamos um déficit no final da competição em torno de R$ 1 milhão pro Campinense. Se não atingiu, chegou perto. Só ao treinador Freitas a conta passa dos R$ 150 mil.
Pra quem teve uma visibilidade nacional de quase 8 meses, os resultados alcançados no campo de jogo foram desastrosos. A conta ficou mais salgada ainda se levarmos em consideração os débitos pendentes com fornecedores, jogadores, comissão técnica e abnegados que querem a sua grana de volta.
O Campinense vive um momento delicado em suas finanças, e ainda tem que buscar dinheiro pra investir na montagem de um nova equipe. Como isso vai ser possível? Com a palavra o presidente Saulo Miná. Na linguagem popular, tem de tirar sangue de tapioca.
Nosso futebol investe na utopia de sobreviver disputando as séries D,C ou B, competições armadas pela CBF pra acabar de vez com o que restou dos clubes brasileiros que estão fora da série A do brasileirão.
O futebol brasileiro é uma massa falida. Seus principais jogadores estão fora do país. O atual campeão brasileiro deve mais de R$ 400 milhões, e passou quase o ano inteiro devendo de 2 a 3 meses de salários atrasados aos jogadores. Dos 400 clubes profissionais existentes no país 3 ou 4 lucram quase nada ou empatam seus investimentos.
O futebol paraibano com suas próprias pernas não tem condições de disputar sequer o campeonato estadual. Que sempre foi deficitário. E pra piorar o governo do estado acabou o Gol de Placa e ainda está pensando como vai funcionar o novo pacote de ajuda aos clubes. Detalhe: O campeonato está em cima.
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VERGONHA - 11 de novembro de 2009
Fica ou desce?
A maior preocupação entre os raposeiros é se o Campinense cai pra série C ou permanece na série B. A maioria não se preocupa com a situação financeira do clube, nem com a estrutura e com o futuro do clube.
Não há um planejamento, um projeto, uma meta que ajude esse grande clube a sair do papel pra realidade. Tem uma grande torcida, tem muitos títulos no estado mas só isso não tornarão o prazer e a satisfação sustentáveis.
Um clube do porte do Campinense, que tem uma grande torcida, pra se tornar auto-sustentável, é preciso ter no mínimo 10 mil sócios torcedores, uma vila olímpica com adaptações de um centro de treinamento, trabalho de base estruturado, e parceiros com cotas de participação no clube de no máximo 49% em ações.
Hoje o Campinense é um clube com rendas bloqueadas, fazendo repasses a Timimania em função de um débito superior a R$ 2,5 milhões com INSS e RECEITA FEDERAL, devendo salários a jogadores, sendo pressionado por fornecedores e com os apoiadores, os homens que dão suporte financeiro ao clube, divididos, desmotivados e botando o pé no freio nas ajudas.
No campo de jogo, o time luta pra permanecer na série B. Este é o foco. E o clube segue deixando pra trás problemas cruciais, se atolando cada vez mais num calvário de dívidas. Envoltos nesse tssunami de problemas, 11 jogadores carregam nas costas a responsabilidade de tapar o sol com uma peneira.
Por: Roberto Hugo
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VERGONHA - 19 de outubro de 2009
Por: Roberto Hugo
O futebol paraibano e seus exemplos que nos envergonham. Em 1976 o Treze tomou a vaga do Campinense no campeonato brasileiro de futebol, utilizando-se dos acordos escusos nos bastidores da antiga CBD, com a participação direta do ex-presidente da Federação Paraibana Genival Leal de Menezes.
O Treze já abandonou uma decisão de campeonato paraibano em João Pessoa, nos anos 70, diante de um público superior a 40 mil pessoas. Há pouco tempo abandonou um amistoso contra o Santa Cruz no Arruda, enfim, atitudes tomadas por dirigentes que se sentiram prejudicados em cada situação, e agiram como torcedores fanáticos escolhendo o caminho da indisciplina pra resolver os equívocos das arbitragens.
Na época do Presidente Olavo Rodrigues no Treze, ele levou o time pro Almeidão pra atuar contra o Botafogo e afirmou de que não jogaria aquela partida se o árbitro fosse Jose Clizaldo, e assim aconteceu. Foi pro estádio, viu Zé, assinou a súmula e voltou pra casa.
Já o Campinense que sequer usa o nº 13 em suas camisas, uma bobagem porque abre espaço pra mídia toda vez colocar o Treze em evidência, acostumou-se a uma prática deplorável. Se o seu time não tem mais chances no campeonato e o resultado pode beneficiar o Treze, ele normalmente apronta uma atitude sinistra. Já facilitou um jogo contra o Guarabira nos anos 70, já deixou de comparecer a uma partida e perdeu por WO, e agora, num ano onde está em evidência nacional, disputando o segundo maior campeonato do país, com mídia nacional e internacional envolvidas, oferece uma vitória ao adversário, para inviabilizar um conquista do Treze. Colocou um time de reservas contra o Botafogo, perdeu de 6 a 0, sujou o seu nome, a sua tradição, deixou pra traz o brio a honra e o profissionalismo.
Se o futebol no Brasil fosse sério, tanto Treze quanto Campinense deveriam ser punidos disciplinarmente, com afastamentos por 2 ou 3 anos do futebol além de pagamento de multas severas. Os seus dirigentes que usam o coração ao invés da razão pra tomar decisões, deveriam ser banidos de suas funções pro bem da moral e dos bons costumes, em respeito ao esporte.
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A UTOPIA DO NOSSO FUTEBOL - 27 de setembro de 2009
Por: Roberto Hugo
Desde os 70 nosso futebol foi bancado por dirigentes fanáticos com condições financeiras equilibradas. No Campinense tivemos Zé Aurino, Lamir Mota, Buarque Gumão, Ivan Farias, Maurício Almeida,Ermírio Leite, Edvaldo do Ó, só pra citar alguns momes. NoTreze, Deda Damião, Jose Cavalcanti Figueiredo,Raiff Ramaho, Edvaldo do Ó, Aluísio Salviano, Cristóvão Victor, Arlindo Almeida, Evandro Salbino, Mariano Vilarim. Esses foram presidentes dos clubes, sem contar aqueles sem pasta que ajudaram e ainda ajudam por debaixo dos panos, pra evitar conflitos com negócios e até com as famílias.
Durante todo esse tempo o que ganhamos com o futebol? Conquistamos títulos paraibanos e nenhum nacional. Em nível de Paraíba nossos times são grandes porque disputam com chances de conquista os títulos estaduais, em nível nacional nossos times viram times pequenos, porque sempre lutam pra não cair quando disputam um brasileiro da série B por exemplo. Financeiramente nossos clubes devem juntos quase 6 milhões de reais, não possuem centros de treinamento e precisam de reformas em seus estádios para dá condição digna aos seus torcedores.
Porque vivemos nesse mundo de ilusão. Porque num país de 500 clubes profissionais, um grupo de 20 clubes da série A tomou o Brasil pra si. Fez um campeonato brasileiro com 8 meses, e deixou menos de 3 meses para os já deficitários campeonatos estaduais, e nos casos dos nossos com os espaços de transmissão pela TV garantidos pros campeonatos do Rio e São Paulo.
Um São Paulo por exemplo recebe de cotas da mídia e de publicidade em torno de 40 milhões p/ano( fora arrecadações, associados e venda de jogadores) e o Campinense por exemplo recebe R$ 750 mil p/ano. Significa de que nosso representante paraibano só tem dinheiro pra pagar 2 meses de salários. Pra quem ter a pretensão de se manter-se na série B, o orçamento anual passa dos 4 milhões de reais. E a cada temporada o passivo desses clubes aumenta de forma impagável. Por isso a falência já abriu o sinal de alerta.
A conta não fecha, os colaboradores cansam, os funcionários ficam atrasados, não há patrocínios fortes, fornecedores estão desesperados, as parcelas da timinimania são pagas com atraso, tomam empréstimos com juros a terceiros, os débitos trabalhistas continuam corroendo o pouco que se lucra das arrecadações, sem falar não evasão, e até dinheiro para o recolhimento do FGTS dos atletas vem faltando.Fernando foi um sinal de alerta. Uma das alternativas para manisar essa crise seria a adesão do sócio torcedor, mas essa prática por aqui é chover no molhado.
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Debate na Caturité - 22 de setembro de 2009
Por: Roberto Hugo
Foram 18 anos de programa esportivo. Entrevistas memoráveis. Campanha como a da construção de um ginásio de esportes para Campina Grande. Defesas ferrenhas em prol dos nossos principais clubes. Eu e Carlos Siqueira trabalhamos com muita garra para impor nossa filosofia de trabalho diante de alguns pesos pesados da imprensa paraibana além de dirigentes obsoletos.
Tomamos posições inovadoras, incentivamos a criação da ASCLUB, das LIGAS PROFISSIONAIS, quebramos velhos tabus, e o Debate na Caturité virou o ícone esportivo das segundas feiras em Campina Grande. Virou o fórum do torcedor, o ponto de referência de todas as torcidas.
O fanatismo tão presente entre torcedores, dirigentes e parte da imprensa nos trouxeram alguns dissabores, algumas ameaças, mas nossa vontade de plantar sementes do bem pro nosso futebol - principalmente, era maior do que os dissabores.
No debate assumimos riscos, assumimos posições, não nos curvamos aos falsos políticos, nem nos envolvemos com qualquer tipo de patrocínio de clubes. Trilhamos o caminho da ética e da isenção para chegarmos aos objetivos da razão. Claro que cometemos equívocos, mas nossos acertos acumularam pontos que nos garantiram uma esmagadora aceitação popular.
Alguns programas em outras emissoras começaram a surgir no mesmo horário, como forma de concorrer e disputar um espaço criado e consagrado durante anos. Em 2006 Carlos Siqueira deixou o programa para se dedicar exclusivamente a TV-Paraiba. Eu continuei sozinho até o final de Agosto corrente. Resolvi me dedicar aos meus investimentos particulares. O Debate acabou, mas outro já surgiu na Caturité também com muito brilhantismo.
Ao longo desses 18 anos concluímos de que o nosso futebol paraibano continua sem perspectiva. Os departamentos esportivos vivem de pires da mão. A CBF nos impõe campeonatos deficitários, impede a criação de ligas regionais, seus dirigentes se perpetuam no poder, as arbitragens fabricam resultados e insuflam a violência entre os torcedores.
O torcedor não tem vocação para ser sócio do seu time. Entra ano sai ano os clubes só acumulam débitos, mesmo com as ajudas de alguns colaboradores e a participação de governos – cuja motivação é o voto. Se a justiça fosse rigorosa, os patrimônios imobilizados dos nossos dois principais clubes já teriam sido leiloados. |